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Ilda Alves do Santos - Corredora





Ilda Alves do Santos - Corredora
ILDA ALVES DOS SANTOS - "É com força de vontade e dedicação que a gente vence"

Nasceu no dia 5 de fevereiro de 1972, na cidade de Santa Fé (cerca de 80 km de Maringá). Filha dos lavradores José Rodrigues Filho e Odete Alves dos Santos, chegou a Astorga aos 3 anos. Menina pobre, teve de começar a trabalhar aos 7 anos nas lavouras de cana, e devido às dificuldades só conseguiu estudar até a 8º série, já que, para ela, trabalhar na roça era muito mais fácil do que estudar.

Começou a correr desde pequena, nas estradas rurais da região, mas só decidiu assumir o atletismo como meio de sobrevivência aos 26 anos, após ser convencida pelo irmão Edmilson a se mudar para a região de Maringá (moram na vizinha cidade de Sarandi). Ilda sempre pensou que para participar das maratonas era necessário pagar, mas não se arrepende de ter começado a carreira tarde.
Aos 31 anos e solteira, a atleta vive o melhor momento da carreira e a possibilidade de ser classificada como uma das atletas brasileiras que irão às Olimpíadas de Atenas, em 2004, é grande. Recentemente (agosto), a atleta maringaense venceu a 1ª Maratona Internacional de Blumenau, em Santa Catarina, e na semana passada, ganhou mais uma vez a tradicional Maratona de Florianópolis (SC).

Ilda coleciona vários títulos como a Maratona de Brasília, em 2002, a Maratona de Dourados, em 2001, no Mato Grosso do Sul, mas sem dúvida, as duas conquistas mais marcantes são as da Maratona Disney, em 2001 e 2002, em Orlando, no Estado da Flórida, Estados Unidos.

Hoje, seu maior sonho é ganhar a Corrida de São Silvestre e participar das próximas Olimpíadas. Para atingir esses objetivos, Ilda treina intensamente com o técnico Humberto Garcia nas pistas da UEM (Universidade Estadual de Maringá) e nas estradas da região de Maringá.

Ilda Alves dos Santos concedeu entrevista ao jornal Matéria Prima, na pista de atletismo da UEM. Acompanhe os principais trechos da entrevista:

Você passou parte da sua vida trabalhando em lavouras, um trabalho que exige muito esforço físico, assim como o atletismo. O que é mais difícil?
Com certeza, o mais difícil é trabalhar nas lavouras. Ter de acordar às 5 da manhã, subir no caminhão de bóia-fria e enfrentar o vento, é horrível. Mas o pior é o sol quente, principalmente quando acaba a água e é preciso andar dois quilômetros. Eu prefiro o atletismo, é mais divertido, você viaja, conhece lugares novos, é bem diferente de cortar cana.

Depois que você se transformou na atleta que é hoje, você voltou para rever seus amigos e colegas de trabalho nas lavouras? E como foi?
Ah! Voltar a gente volta para ver os colegas, passear na cidade, só, mais nada. Mas eu sinto muita saudade, era muito divertida a vida no campo. Hoje, o atletismo afasta não só meus colegas, mas também a minha mãe. O atletismo exige muito da gente.

Qual é, na sua opinião, a maior dificuldade para um atleta hoje no Brasil? Por quê?
A maior dificuldade é suportar as lesões e agüentar o ritmo dos treinamentos, mas a falta de patrocinador também interfere. Na verdade, você tem de ter amor à profissão para agüentar todos estes obstáculos.

O que mudou na sua vida depois da primeira vitória em uma maratona?
Muita coisa mudou, principalmente acreditar que é com força de vontade e dedicação que a gente vence. Hoje, eu me considero uma pessoa vitoriosa. Tenho minha casa, meu carro e uma poupança. Mas, quando se torna uma atleta elitista, você quer cada vez mais.

Como é o dia-a-dia da Ilda Alves dos Santos maratonista?
Meu dia é bem desgastante. Existem prioridades no dia-a-dia, como uma alimentação saudável, treinamentos, força de vontade. Eu treino todos os dias, até no sábado e domingo, duas horas por dia, de manhã e à tarde.

E o dia-a-dia da Ilda mulher?
O dia-a-dia é corriqueiro. Quando não estou treinando, estou na minha casa. Lá, eu faço de tudo, lavo louça, limpo, só não sei lavar roupa. Eu tenho maior satisfação de poder ter a minha casa e participar das tarefas diariamente. Comprar a minha casa foi o maior sonho que realizei.

Como você concilia a vida de atleta com a vida pessoal?
A vida de atleta é difícil, é bem diferente da vida normal, em que você tem tempo de passear, ver a família. Eu tenho uma vida regrada, meu treinador não me deixa sair. Na verdade, você acaba se dedicando ao atletismo e esquecendo um pouco da vida pessoal.

Você não pensa em se casar e constituir uma família?
Por enquanto, não. Eu quero primeiro aproveitar a vida e me dedicar ao atletismo. Eu não penso em me casar. Estou feliz assim.

Você se julga uma mulher vaidosa?
Um pouco. Não uso hidratante, creme, nem protetor solar, só nos finais de semana que uso um batonzinho. Meu irmão diz que quando eu compro roupas eu me desconcentro dos treinos.

Já que você não usa protetor solar, você não tem medo de desenvolver uma doença de pele?
A gente já convive desde cedo com o sol quente, principalmente quando você trabalha na roça. Eu não tenho medo, eu não acredito nisso.

O que você sempre quis fazer na vida e só conseguiu realizar depois que se transformou na atleta que é hoje?
Depois que eu consegui vencer a Maratona de Brasília a minha vida mudou. Eu ganhei dinheiro que deu para comprar a casa dos meus sonhos, a minha casa própria e ter uma vida independente. Mas, hoje, o meu maior sonho é vencer a São Silvestre, em São Paulo.

De todas as provas que você disputou, qual você considera ter sido a mais difícil? Por quê?
A São Silvestre, porque o ar é rarefeito e durante o percurso você tem de passar por um túnel de três quilômetros, isso acaba com a gente. Mas temos de "colocar" na cabeça que mais difícil é trabalhar na roça.

O que você diria para as pessoas que, como você, estão batalhando para conseguir se destacar no atletismo?
Que se espelhem nos atletas que estão se destacando, pois para vencer é preciso muita força de vontade. As pessoas têm de pensar que nada é difícil quando se tem vontade de vencer, tem de lutar aos poucos. Realmente o mais difícil mesmo é o começo.

Você tem planos de ajudar outros atletas a crescer em suas carreiras? Como?
Ainda não tive tempo para pensar nisso, mas se algum dia puder treinar alguém, vou incentivá-lo como o meu irmão Edmilson me ajudou, principalmente se a pessoa for pobre e da roça.





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