Educação a favor da informação


Fábio Gandour explica que a tecnologia utilizada como ferramenta norteadora de operações ainda é falha no Brasil e afirma que não mais somos um País em desenvolvimento para continuar pecando no quesito educação.

Ao longo de sua transformação, as pessoas sentem a necessidade de se alimentar cada vez mais de informação e é preciso entender que a tecnologia está em trânsito para atender essa demanda de forma lírica, icônica e eventualmente técnica.

Para explicar sua teoria, o cientista-chefe da IBM do Brasil, Fábio Gandour, trouxe para os participantes do Fórum HSM de Inovação e Crescimento, realizado nos dias 28 e 29 de junho, exemplos de que a criatividade brasileira existe, mas ainda está longe de aproveitar todos os subsídios que a tecnologia oferece para automatizar processos e transformar a criatividade em invenção. E Gandour pontua que a criatividade só será uma inovação após tornar-se usável.

Esse processo muitas vezes se perde porque a educação voltada para a orientação técnica ainda é falha no Brasil. Segundo Gandour, profissionais americanos e europeus com formação acadêmica tem enorme habilidade em gestão porque treinam sua capacidade e visão técnica ainda na escola primária, enquanto o brasileiro desenvolve sua capacidade de ação diretamente no mercado. Mas, afinal, isso é bom ou ruim?

“Considerando o cenário atual do mercado brasileiro que, a meu ver, estamos falando de um Brasil já desenvolvido, a dificuldade que os nossos profissionais encontram neste quesito impede a implementação de inovações tecnológicas que vão auxiliar o seu dia a dia”, afirma o cientista.

Outro ponto de atenção citado pelo cientista é que a ciência de inovação voltada para projetos de serviço está indo na contramão do atendimento personalizado, o que é um grande erro nos mercados atuais.
Para ele, algumas empresas oferecem produtos excelentes, inovadores, mas pecam na entrega do serviço agregado, o que pode levar ao fracasso ótimos projetos e abrir um enorme espaço para que os concorrentes inovem. “No atacado, a ideia de ‘salsichizar’ o cliente, tratando todos como todos é um enorme erro que abre valas na relação cliente-empresa”, alerta Gandour. Já no varejo o grande problema é a falta do controle de qualidade.

Por isso, mais do que nunca o foco em inovação deve ser ajustado e revisto constantemente. E o palestrante encerra sua apresentação parafraseando um poeta português: Eu não vou por aí, eu vou para onde eu vou e aonde eu quero ir. Eu só vou por onde me levam os meus próprios passos. Eu sei por onde eu vou, eu sei para aonde eu vou. Eu sei que eu não vou por aí aonde você quer que eu vá.

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