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Fred Gelli

Quando começou na profissão, há 25 anos, o designer Fred Gelli chegou a ser confundido com louco ou ecochato. Não era para menos. Num tempo em que pensar em matérias-primas sustentáveis era atitude rara e até considerada insana no mercado de criação de produtos, ele mesmo cortava e montava pastas e embalagens de papelão ondulado e vendia aos colegas do curso de design da PUC-RJ. No início, sua empresa, a Tátil Design, fazia também agendas telefônicas, porta-lápis e chegou a criar um broche-carrapicho (que soltava pedacinhos que grudavam depois de um abraço) para uma campanha eleitoral de Fernando Gabeira, em 1989, pelo Partido Verde. E por cerca de 10 anos quase tudo o que se produzia na agência era ecologicamente sustentável.

Galeria Design sustentável

Passados 25 anos, Gelli e sua equipe não fabricam mais com as próprias mãos estes objetos ecologicamente corretos, mas a agência virou Tátil Design de Ideias, da qual é sócio e diretor, ainda cria projetos que seguem os conceitos do ecodesign. Com uma equipe de mais de 100 pessoas. Entre elas, uma bióloga em dois escritórios, no Rio e em São Paulo, a agência de design e branding assina a criação das marcas dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, e já conquistou mais de 100 prêmios, entre eles, o Leão de Bronze no Cannes Lions 2009. Em breve, eles divulgarão mais um feito: a marca ''Brazil Export'', que será usada para identificar os produtos brasileiros exportados para o resto do mundo. Tudo conquistado a partir da consulta ao “oráculo da natureza”, ensina Gelli.

No começo da profissão, eu achava que ia desenhar cadeiras e luminárias incríveis, seguia o estereótipo do design na época, mas me deparei com uma professora que era muito alternativa e me desafiou. Eu tinha interesse por embalagens e ela me perguntou: ''você já pensou na embalagem que te trouxe ao mundo, a barriga da sua mãe?'' Ela me convidou a olhar para a natureza como uma projetista e até hoje sigo este princípio conta Gelli, que há mais de 10 anos é professor do departamento de Design da PUC-RJ, onde dá aulas de Biomimética (ciência que busca inspirações e aprendizados na natureza).

Fred Gelli acredita que a natureza desenha soluções para os problemas do cotidiano das pessoas e das empresas. E, ao designer, cabe enxergar isso. E adaptar as respostas para o universo do design, da engenharia ou da arquitetura.

A natureza está há 3,8 bilhões de anos desenvolvendo soluções para problemas muito semelhantes ao nossos. Não somos os primeiros a ter que lidar com superpopulação e planejamento de espaços comunitários e com captação de energia, por exemplo. No caso da geração de energia, as folhas das árvores são a melhor inspiração para se pensar em células fotovoltaicas (dispositivos capazes de transformar a energia luminosa, proveniente do sol ou de outra fonte de luz, em energia elétrica).

Mas é preciso ter cuidado com os produtos ecochatos, que só usam material reciclável para ser politicamente corretos, sem seduzir o consumidor.

Eu e meus sócios, Gustavo Gelli, meu irmão, e Patrícia Pinheiro, minha ex-mulher, passamos 10 anos só criando e produzindo coisas que fossem completamente eco, dos materiais aos princípios de customização. Na época da Rio 92, lançamos os princípios criativos, que são usados até hoje. Uma das ideias que o grupo segue até os dias atuais é o de ser ecosexy e não ecochato. O produto ecochato é aquela solução de baixo impacto ambiental e baixo impacto sensorial. Acredito que as soluções que interessem às pessoas são as de baixo impacto ambiental, mas de alto impacto sensorial, estas são as soluções ecossexies prega Gelli, cujo bisavô, o italiano João Gelli, foi um dos fundadores da fábrica de móveis Gelli.

Um exemplo disso, cita, é o Gátil, mascote e ícone da agência, cujo corpo é feito de polipropileno cortado em faca tipográfica e que tem pés de saquinhos de areia, confeccionados pela Coopa-Roca, cooperativa de costureiras da Rocinha. Quando jogado para o alto, o bichinho sempre cai em pé. Na parede da sala do designer, coloridas Tátilranas, luminárias feitas poliux, material de alta resistência e flexibilidade, também são representantes deste design ecológico atraente. Mesmo caso dos flyers impressos em folhas de árvore para divulgação de shows e eventos.

O processo criativo da marca Olímpica seguiram os mesmos princípios da natureza, mas tiveram um ingrediente a mais: a emoção. A marca foi fruto de um trabalho conjunto, colaborativo, em que todos os funcionários da agência, da telefonista ao copeiro, puderam opinar. O resultado foi uma marca tridimensional que remete a um abraço. Ou a uma brincadeira de roda, ou a um coração... Tudo depende do ângulo e do olhar de quem vê a peça, diz Gelli.

Tipos de Trabalhos

Superação de Desafios / Mudanças
Motivação
Criatividade e Inovação
Liderança
Resultados
Sustentabilidade / Meio Ambiente