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Luis Fernando Guggenberguer

Paulistano da zona norte, Luis Fernando Guggenberger tem muitas passagens interessantes em sua vida. Duas se destacam. Profissionalmente, sua atuação no Terceiro Setor, dando destino a ações sociais de organizações e institutos ligados a empresas. Pessoalmente, sua família, que inclui dois filhos adotivos. Essas duas faces se completam. Para estar mais perto dos meninos e construir um ambiente melhor para eles, Luis deixou a Fundação Telefônica, uma mega organização, e foi montar o Instituto Vedacit – ligado a uma empresa brasileira do setor de construção civil, sem tradição no setor social, mas que fica na zona norte, vizinha à sua casa. “Eu gosto de ajudar uma instituição a se reinventar, a repensar coisas que criem, de fato, valores para a sociedade”, diz ele. E acrescenta que, ao mesmo tempo, pretende contribuir para que a zona norte, região onde está o futuro de seus filhos, seja cada dia melhor.

Luis Fernando Guggenberger, filho de metalúrgico, mudou de casa a cada dois anos durante sua infância. Morou no Imirim, em Perdizes, em Santo Amaro, mas garante: “Minhas raízes estão na zona norte de São Paulo. Ali eu cresci e ali começou minha trajetória profissional na área social.” Jogou futebol, deu aulas de violão e de Informática, estudou Jornalismo, Publicidade e Relações Públicas. É inquieto e, na área social em que trabalha, tem sempre uma proposta fora da caixinha para apresentar. De forma resumida, ele narra assim a sua trajetória de vida:

Cursou o ensino médio no período noturno porque queria trabalhar. Um dia, numa aula vaga, me ofereceram cocaína, que estavam cheirando dentro da sala. Aquilo  chamou a atenção: fica esperto, seus próximos três anos são de sobrevivência. Sobreviveu. Entrou na extinta Uniban (Universidade Bandeirantes), no curso de Jornalismo. Queria ser jornalista esportivo. Estava no segundo ano quando um jornalista lhe disse: “A internet vai derrubar a gente”. Conseguiu um estágio na área de marketing esportivo do Clube Espéria e largou a faculdade. Anos depois fez Publicidade e Propaganda na Universidade de Guarulhos.

Nessa época teve contato com a fundação Gol de Letra que o Raí e o Leonardo criaram na Vila Albertina. Gostou do ambiente ajudou a organizar o programa de voluntariado. Foi contratado dois meses depois. Seu vínculo com a Vila Albertina foi importante, porque muitas das crianças que atendíamos eram filhas de pessoas que passaram pelo mesmo colégio em que ele tinha estudado. Ele podia andar tranquilamente pela favela, as pessoas sabiam quem ele era.

Depois foi convidado a ser educador de Informática para jovens no Projeto Casulo, no Real Parque. Levou uma proposta de multimídia, de rádio comunitária, oficina de vídeo, diagramação de site para internet. Em 2003, para viabilizar o projeto, era preciso ter software, que era muito caro. Resultado: assumiu a bandeira do software livre.

No final de 2007 houve um processo seletivo para o Instituto Vivo. Foi trabalhar com as pessoas certas, no lugar onde mais se realizou profissionalmente. Em 2009, um dos projetos que mais o marcaram, e tem impacto até hoje, foi implantado na região de Belterra, no oeste do Pará. Para desenhá-lo convidaram pessoas da sociedade, entre eles o Eugenio Scannavino, fundador da ONG Projeto Saúde e Alegria, que fica em Santarém. Convenceram a empresa e parceiros a financiar a construção de uma torre de telecomunicações 3G na cidadezinha de Belterra. Distribuíram celulares comunitários, o que ajudou a conectar o barco-hospital do Saúde e Alegria às pessoas. No fim do ano, na inauguração da antena, você via o olhar brilhando das pessoas, um olhar de esperança de que aquilo pudesse mudar a vida delas. E fato! Seis meses depois, o que se pensava de investimentos se pagou. A Educação, a segurança pública, as condições de vida das pessoas, tudo melhorou. Então, o conselho de administração da empresa aprovou a implementação de rede 3G em 2.239 municípios. Aquilo lhe deu a consciência de que uma empresa pode fazer diferença na sociedade. Logo depois, em 2011, aconteceu a fusão entre Telefônica e Vivo e teve a sorte de chegar à Fundação Telefônica promovido a gerente.

Estar junto à família foi se tornando cada vez mais importante. Então deixou a Telefônica para montar uma área do Instituto Vedacit que fosse instrumento de investimento social, e ao mesmo tempo ajudasse a companhia a construir o seu senso de propósito. Ele gosta de ajudar uma instituição a se reinventar, a repensar coisas que criem valores para a sociedade.

A Vedacit é uma empresa brasileira do setor de construção civil. Fica na zona norte, onde está sua história, e olhando para futuro, ele quer poder prover um novo desenvolvimento para aquela região da cidade de São Paulo, a região dos meus filhos.

Temas das Palestras:

- Terceiro Setor
- Responsabilidade Sócio Ambiental
- Redes Sociais / Midias Sociais - Empreendedorismo
- Liderança 
- Case de Sucesso
- Empresários
- Marketing / Comunicação
- Sustentabilidade / Meio Ambiente
- Tecnologia

AT 05-20