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César Menezes

O imprevisto é o que rege a vida do repórter. É preciso estar sempre em alerta para conseguir um bom furo. Para o jornalista César Menezes, correção na informação é tão importante quanto dar a notícia em primeira mão, assim como saber aproveitar uma boa oportunidade. O faro jornalístico, proximidade com as fontes e jogo de cintura ajudaram César Menezes durante toda a carreira, principalmente em reportagens investigativas, onde todo o cuidado é pouco.

O repórter mineiro iniciou a trajetória na televisão aos 30 anos, em Juiz de Fora. Demorou um tempo para perder a timidez diante da câmera, ao vivo. Enveredou-se pelo interior de São Paulo trabalhando em afiliadas da Globo e aceitou o desafio de se mudar para Fortaleza. Parou em São Paulo, onde cobre todo tipo de pauta, ainda que siga em movimento pelo Brasil. Sempre que a notícia chama.

Em 1999, César Menezes aceitou o convite da EPTV, afiliada da Globo em Ribeirão Preto, e se mudou para o interior de São Paulo. Durante um ano, participou de todo tipo de cobertura local, principalmente relacionada à violência e segurança pública. O assunto que lhe rendeu suas primeiras matérias no Jornal Nacional foi a cobertura da Festa do Peão de Barretos. Tradicionalmente realizada em agosto, a festa do peão de boiadeiro anualmente ganha destaque nos telejornais da Globo, principalmente em São Paulo. Naquele ano, César Menezes preparou uma reportagem sobre romeiros que chegavam a Barretos de diversas partes do estado. “As imagens do Alexandre Sá, que tem uma sensibilidade fenomenal, estavam tão lindas que quando eu vi a matéria eu falei que podíamos oferecer para o JN. Acabou entrando.”

Em 2000, César Menezes se mudou para Campinas, para trabalhar em outra frente da EPTV. Lá, cobria assuntos relacionados à ciência e tecnologia – ações desenvolvidas na Unicamp tinham entrada nos telejornais de rede. No ano seguinte, se mudou para São José dos Campos, tornando-se repórter da TV Vanguarda, outra afiliada da Globo no interior de São Paulo.

Em fevereiro de 2001, quando ainda estava se ambientando na nova cidade, eclodiu uma rebelião em 29 presídios paulistas. O motim foi coordenado por Idemir Carlos Ambrósio, o Sombra, que se tornou chefe da organização PCC, e deixou 16 presos mortos. César Menezes estava de plantão naquele domingo e precisou correr contra o tempo: qualquer novidade sobre a situação na Casa de Custódia de Taubaté rendia entradas ao vivo na programação. “A coisa estava tão feia, que era muito difícil conseguir qualquer informação do lado de fora. E eu tentei apurar com as poucas fontes que eu tinha, porque eu era novo ali.” Naquele presídio, estavam presos criminosos conhecidos, como Maníaco do Parque e o Bandido da Luz Vermelha. A rebelião durou um dia e Menezes conclui que foi sua primeira grande cobertura.

Em 2003, recebeu um convite para trabalhar na TV Verdes Mares, em Fortaleza. “Eu já conhecia a cidade como turista, adoro praia. Mas não conhecia o trabalho, nem as pessoas. Só conhecia o trabalho do Marcos Gomide, que era diretor da redação de Fortaleza. Então quando me sugeriram trabalhar lá, eu nem fui visitar, só queria saber onde assinava, porque sabia que era um caminho legal.”

Uma das coberturas que o jornalista participou – e que ganhou destaque nos telejornais de rede – foi o assalto ao Banco Central do Brasil em Fortaleza, em agosto de 2005. O maior assalto a banco do país ocorreu durante a noite: por um buraco, os bandidos roubaram quase R$ 165 milhões, cerca de 3,5 toneladas de notas.

Em 2006, o jornalista participou ainda da cobertura das eleições presidenciais, acompanhando os candidatos em sua agenda em São Paulo. No ano seguinte, acompanhou a visita do papa Bento XVI ao Brasil.

Em 2008, o repórter participou da série Apagão Carcerário, sobre a situação de calamidade do sistema penitenciário brasileiro, exibida em maio no Jornal da Globo. As reportagens ganharam o prêmio de Jornalismo da Rede Globo naquele ano. Ainda em 2008, em setembro, o repórter esteve à frente de outra série, também para o JG: Epidemia do Crack, sobre a disseminação da droga no interior do país.

Em maio de 2014, César Menezes e o repórter cinematográfico Dennys Leutz fizeram um raio x do sistema de segurança pública no Brasil, em uma série de reportagens para o Jornal da Globo, chamada Impunidade. O trabalho durou seis meses e teve como foco a impunidade e a forma como as autoridades investigam e solucionam crimes nas cinco regiões do país.

Atualmente além de ministrar suas palestras de temas cercados ao jornalismo, faz mestre de cerimonias e moderação de debates.

Prêmios:

- 1998 – Prêmio FEAC de Jornalismo – Série ”Miséria na região mai rica do Brasil”
- 2000 – Prêmio Yara de Jornalismo – Reportagem “Rio morto”
- 2005 – Finalista do Prêmio Embratel – Reportagem “Fábricas do bem”
- 2005 – Prêmio ABCR de Jornalismo – Série “JN na estrada”
- 2007 – Reportagem do Ano (Prêmio interno da TV Globo) – Apagão Carcerário  

Tipos de Trabalhos:

- Mestre de Cerimônias
- Moderador de Debates

AT 12-09